Relação entre parto humanizado e o trabalho da Doula

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Doula auxiliando gestante em parto humanizado

A discussão e o significado do parto humanizado tem intrínseca relação com as pautas levantadas pelo movimento feminista, proporcionando à muitas mulheres a compreensão de que são donas dos seus corpos. Sendo assim, toda a dimensão acerca deste direito foi inserida no cenário hospitalar, que há muito tempo iniciou um processo de intensificação das intervenções no momento do parto. Como consequência a mulher perdeu o seu protagonismo, tornando-se vítima da violência obstétrica, tanto física quanto psicológica, na gestação, parto e pós-parto. 

Embora a discussão sobre a humanização do parto tenha se tornado latente entre os segmentos da sociedade e os profissionais de assistência ao pré-natal, parto e pós-parto, a grande maioria das mulheres continuam sofrendo diante do desrespeito às suas escolhas e preferências no momento de dar a luz.

Mulheres ativistas buscanso seu protagonismo no parto

O Ministério da Saúde considera que o conceito de parto humanizado “é amplo e envolve um conjunto de conhecimentos, práticas e atitudes que visam a promoção do parto e do nascimento saudável e a prevenção da mortalidade materna e perinatal.” Logo, a humanização é denominada como um agrupamento de assistências oferecido a mulher gestante independente da sua classe social e identidade cultural. Portanto, a parturiente que se encontra em estado normal de saúde tem o direito à forma mais natural possível de parto, seja domiciliar ou hospitalar. Tal prática consiste, sobretudo, em pensar no direito de escolha da mulher, respeitando suas vontades em relação ao seu corpo.

No entanto, a realidade de assistência a mulher na gestação, parto e pós-parto no Brasil possui traços marcado pela violência institucional e práticas de profissionais desatualizados que destoam completamente das recomendações da Organização Mundial da Saúde- OMS. E uma das bandeiras levantadas pela humanização consiste em devolver à mulher o suporte físico e emocional que foram retirados no momento em que o parto foi institucionalizado.  

Nesse panorama, surge o papel comprovado cientificamente da Doula no cenário de assistência a mulher, auxiliando-a no processo de empoderamento e retomada do seu protagonismo. E, ao contrário do que se acredita, o trabalho da Doula se inicia no pré-natal, se estendendo até o momento do parto e pós-parto. A Doula é uma profissional formada e capacitada para prestar suporte psicológico, emocional, informacional e conhecimentos acerca da fisiologia do trabalho de parto, medidas de conforto e apoio para que a gestante possa elaborar o seu plano de parto conforme os seus desejos. 

A Doula também orienta à sua gestante e o seu acompanhante sobre as práticas mais corriqueiras de violência obstétrica, contrárias à humanização do parto. Dessa forma, consegue atribuir as parturientes e seus acompanhantes ferramentas para reconhecer e confrontar esses atos – de caráter físico e/ou psicológico – realizadas na maternidade. Entre as práticas de violências obstétricas mais comuns, destacam-se a episiotomia (corte invasivo no períneo) sem anestesia e/ou autorização e a manobra de Kristeller (pressão sobre o fundo uterino no período expulsivo- configurada como criminosa).

A OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza que os direitos estabelecidos pela gestante devem ser respeitados por toda a equipe médica responsável pelo atendimento, sem que haja a ocorrência de práticas violentas. Sendo assim, é extremamente importante que a futura mãe esteja emocionalmente e fisicamente preparada para conduzir seu próprio parto, visando a experiência menos invasiva possível. Logo, ter o auxílio de uma Doula é essencial para instruir a parturiente sobre suas escolhas, visando a manutenção da humanização e seu protagonismo.

Fontes: BARBOSA, M. B. B. et al. Doulas como dispositivos para humanização do parto hospitalar: do voluntariado à mercantilização. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 42, n. 117, p. 420-430, abr./2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/sdeb/v42n117/0103-1104-sdeb-42-117-0420.pdf. Acesso em: 11 ago. 2020. ; CATRACA LIVRE. Parto humanizado e as vantagens para mães e bebês. Disponível em: https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/ parto-humanizado-o-que-e-e-quais-os-beneficios-para-maes-e-bebes/. Acesso em: 11 ago. 2020. ; COPEGE. O papel da doula no parto humanizado foi tema do Diálogos com a Enfermagem. Disponível em: http://www.cogepe.fiocruz.br/?i=rh_na_fiocruz&p=noticias&inc=noticia&id=1450. Acesso em: 11 ago. 2020.PORTAL DE BOAS PRÁTICAS EM SAÚDE DA MULHER, DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Deixar de fazer manobra de Kristeller: por que e como?. Disponível em: portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br. Acesso em: 11 ago. 2020.


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